Um poeta preservado na memória de um povo

Texto | Amaral Neto e João Vinícius

Poeta e cantador de viola, Zezé Lulu nasceu em 04 de dezembro de 1916, no Sítio Serrinha, no município de São José do Egito - PE. Nos trinados da viola, sagrou-se na tradição do repente com a sabedoria de quem foi puramente poeta.

Foi o sétimo filho, de uma prole de oito, de Luiz Ferreira Gomes (Lulu) e Maria José de Santana (Sinhá). Teve seu nome de pia, José Gomes do Amaral, substituído pela alcunha de Zezé, filho de Lulu. Daí, para Zezé de Lulu, até chegar a Zezé Lulu, como, enfim, se popularizou.

A Serrinha, seu berço de nascimento e fonte de inspiração, é um recanto que ainda hoje preserva o bucolismo e a pureza da poesia de improviso. Isto desde a época que era habitada pelos pais de Zezé e por Antônio Marinho, o Águia do Sertão, um dos grandes precursores da cantoria de viola.

Odília, uma mulher feita de teatro



Ela escolheu o Vale das Juremas para o nosso Papo de Boteco. No Vale, escolheu a sombra de um juazeiro para estender sua esteira. No percurso, apresentou árvores que tem nomes (o juazeiro chama-se Felicidade) e um labirinto de pedras que a faz viajar e se encontrar cada vez que se perde no mesmo lugar. O cenário e os detalhes descobertos e quase vistos só por ela ficam no Sítio Minadouro de Ingazeira, um ambiente antes encarado como servente só para extração vegetal e, à mercê de invernos, para a agricultura e pecuária. Mas desde sempre ela foi assim, diferente. O próprio nome traz uma história curiosa que parece ter definido seu modo de vida. Ela é Odília Nunes, a mulher teatro, ou ‘tearte’ tanto que precisou tear a vida com estilo próprio. De volta para casa, aos 34 anos, se mostra uma mestra. Une experiência à carência do constante aprendizado. E independência à dependência do ambiente natural. E de tudo se faz palhaça, atriz, produtora, figurinista, cordelista... uma viajante em corpo e sonhos. Um só papo com ela é pouco, mas a Revista Pajeuzeiro foi lá pra trazer esse pouco pra cá. Com fotos de Claudio Gomes e entrevista de Alexandre Morais.

Um retirante artesão

Texto William Tenório | Fotos Thiago Caldas



Há alguns meses ganhei de presente de Alexandre Morais uma escultura em madeira de uma mulher negra e esguia que caminha com uma lata d’água na cabeça apoiada com a mão direita e com uma foice na mão esquerda. Na base retangular que serve de apoio para a peça está entalhado o nome do artista que a produziu, Jonas, escrito em letras de forma com o S começando em baixo do J. Acho a peça linda e não fazia ideia de onde havia sido produzida, até que em uma das gravações do Cultura e Coisa e Tal descubro que Jonas mora em Iguaraci, ou seja, é um pajeuzeiro.