VALE A PENA CONHECER...

...o LP, hoje remasterizado em CD, Estrada, de Zeto e Bia. Feito em 1989, o disco é todo uma homenagem ao poeta Zé Marcolino, morto em acidente de carro em 20 de setembro de 1987, ali entre Afogados e Carnaíba. “O que foi feito da vaca/ que matou Zé Marcolino?”, se perguntava Ivo Mascena.

O disco é o único da dupla-casal. Traz belas e benévolas palavras de Ésio Rafael, que chegou a dizer que “é um trabalho ‘pajeuzeiro’ que se universaliza pela força poética e interpretativa da dupla.” E mais à frente diz o poeta sertaniense: “a estrada é comprida, mas pela capacidade da dupla é só ter cuidado com uma rês e sair lambendo as feridas.”

O disco é composto por 06 faixas de autoria de Zeto e Bia, 03 faixas de Zé Marcolino e uma homenagem ao autor de “serrote agudo”, feita por Hilário Marinho e Zeto: Marcolinada. É onde declama Bia, profetizando: “Marcolino, enquanto existir, quem como tu, saiba ver, além da simplicidade, a beleza das coisas do sertão, tu viverás,” e grita ao final: “MARCOLINO VIVE!”.

Sim, Bia! Marcolino vive...vive na Missa do poeta, criada por Padre Assis Rocha e hoje sob a responsabilidade da APPTA (Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira). Vive no museu que lhe dedicou seu fã e conterrâneo. Vive nas novas gerações.

Como um Andarilho que dançou um Forropé no São João de Ouro, que sentiu um Vento Penteador e depois, para curar a ressaca da festa, se trancou num Quarto Pensativo. É como o ouvinte se sente depois de ouvir o disco. A natureza agradece. E ainda tem um Sabiá na Seca que anda por uma Estrada somente Recordando o Ceará. Tudo isso ao som de uma boa Marcolinada.

É indispensável ao público discófilo esse trabalho de Zeto e Bia. E a quem quer conhecer o universo cultural do Pajeú ele se torna necessário. O disco se tornou universal sendo tão particular.

É por isso que as novas gerações devem conhecer o belo tributo feito a Zé Marcolino por Zeto e Bia, o casal mais cultural do Pajeú.

É psicodélico, poeta!

COLUNA | Genildo Santana