VALE A PENA CONHECER...

COLUNA | Genildo Santana


...A Regionalidade Universal do florense Moacir Santos. Nascido em 1926 em Serra Talhada, Sertão do Pajeú, ele foi criado sem a presença do pai, que abandonou a família para juntar-se à força volante que caçava o bando de Lampião. Pouco depois, a mãe morreu. Foi criado, então, por uma madrinha, em Flores, onde foi radicado. 80 anos de vida e boa parte desses anos dedicados à música. De início, em Flores mesmo, depois Rio de janeiro e da “cidade maravilhosa” para Nova Iorque, onde compôs para o cinema. E lá ficou, sem daqui sair. Em Pasadena, Califórnia, o instrumentalista brasileiro foi, além de compositor do cinema, professor de música.

Moacir Santos iniciou sua carreira musical aos 11 anos de idade, tocando clarinete. Mas, sua genialidade e dedicação o fizeram expert em saxofone, piano, clarineta, trompete, banjo, violão e bateria. Quanta versatilidade, não?

Não pense o leitor que viver longe o afastou. Pelo contrário: compôs com “o poetinha” Vinícius de Morais, Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes e outros importantes nomes da música brasileira. No seu repertório, contam composições tão belas quanto desconhecidas de nós pajeuzeiros. E trilhas para filmes como “Seara Vermelha”, “Ganga Zumba”, “Os Fuzis” e “O Beijo”.

Moacir Santos é um ícone da música brasileira. Tanto que foi homenageado por Baden Powel e Vinícius na música “Samba da Bênção”, que tem um trecho que diz: “Moacir Santos / tu que não és um só, és tantos / como este meu Brasil de todos os santos”.

Ainda em vida, seu álbum “Ouro Negro” foi lançado. Nesse belo trabalho se viu abençoado e louvado por Milton Nascimento, Djavan, Ed Motta, Gilberto Gil, João Bosco, João Donato e tantos outros nomes da MPB.

Nós, pajeuzeiros, tão poéticos, mas também musicais, ainda não demos a Moacir Santos o que ele merece. O cineasta pernambucano Daniel Aragão dedicou-lhe um filme, The Brazilian, um longa ficcional sobre a imigração do maestro para os Estados Unidos nos anos 1960, durante o período da Bossa Nova. Um destaque para o livro “Moacir Santos ou Os Caminhos de um Músico Brasileiro”, de Andrea Ernest Dias.

Mas esse reconhecimento da sua Regionalidade Universal, nós ainda estamos lhe devendo.

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